Ponhemas
Cordel
A navalha cega não enxerga quem mata
O assassino é um músico, seu instrumento é a faca.
Vou pedir meu santo pra me fazer uma espada
Amolada na pedra e com as borda dourada.
Vou pedir um escudo
de ferro e surdo.
não escuta nem som grave do carcará
nem da águia o som agudo.
Com voz de brasa vou pedir uma asa,
fugir de casa e dormir em qualquer praça
feito cão vadio,
porém sadio.
E vou tocar fogo em sua barcaça.
Quando você sentir um arrepio
sou eu que cheguei sem fazer nem um pio
E você saberá que de hoje não passa!
Começarei comendo sua roupa, como traça
depois comerei sua carne, como onça.
Não há deus que salva
quem está sem esperança.
E você vai sentir, moça bonita,
o gosto amargo da minha vingança.
Na cabeça, só tenho lembrança
de chão seco, suor e brita
e da sua saia a rodar, rendada e florida,
e do se cabelo preso com laço de fita.
Quis te dar meu amô,
te levar pro meu rancho,
mas você recusô
por causa de um doutô.
Moça bonita, respeito sua decisão
Mas respeito mais a minha dor.
Dessa forma trocaremos presentes ainda,
suncê me dá minha redenção,
Eu dou o que guardei pra você: minha faca mais linda.
Arranjei um outro  jeito de adentrar seu coração.

autor: Cidnei de Solé


Deus fez o homem à sua imagem e semelhança…

Deus fez o homem à sua imagem e semelhança…


Algumas pessoas passam a vida em busca da pessoa amada…

Algumas pessoas passam a vida em busca da pessoa amada…

Assombração urbana 

Assombração urbana

 

soneto do desespero

Dúvida

Pela nova regra, tem acento em cima de rôla ou eu assento em cima da rôla?

Sinto o lobo uivando atrás de mim

Ditados populares

Rôla mole que fica dura

Tanto bate até que goza.

 

 

O apressado come cu

carente

 

 

Mais vale um pinto na mão

do que dois no ânus

De todas as putas, o gozo

De todas as covas, o morto

De tempos em tempos, conforto

De tanto que ladro, até mordo

De cima pra baixo, eu subo

De onde vem esse sopro?

Depois de amanhã vou correr

Dê um tempo e verá

De tudo isso aqui eu me farto

De longe eu vejo e vomito

Depois de amanhã eu me mato.

Desemprego

Eu prego que haverá melhoras

Na poesia sempre achei emprego para todas as palavras.

Eu prego que haverá guerra

Eu prego que haverá pragas

Eu prego que perderei as pregas.

Sim, nós batemos! (Manifesto ponhetista)

A mão que afaga é a mesma que apedreja, é a mesma que escreve e  a mesma que masturba.

Por todos esses séculos, a mão encarnou papéis distintos, tal como a própria representação do Homem na visão cristã: ora como instrumento de Deus, ora do Diabo.

Houve a separação total de significado: quando utilizada para os fins estéticos da escrita, faculdade elevada da alma, não houve quem mais elogiasse a escrita; mas quando utilizada para a finalidade humana da masturbação, houve somente pecados e julgamentos.

Aliás, as duas faces de uma mesma moeda sempre perseguiram caminhos diferentes desde o surgimento da moral humana. Por exemplo, o amor, quando portando o manto da reciprocidade e moderação, chama-se tal, mas quando se veste de grande intensidade e possessão, chama-se paixão. Nem ousarei dizer o seu nome quando transvestido de não-aceitação e rejeição por parte do objeto amado.Quem irá dizer que a origem não é a mesma? Nos fizeram acreditar no contrário.

Eis que destilei toda essa história para lhes falar do ponhema. A arte imita sim a vida. Não há escrita sem gozo, roteiro sem masturbações mentais e monografias sem fugas vorazes pelo mundo da punheta. Não há poesia sem punheta.Quando dizia “das brancas ovelhinhas tiro leite”, Gonçalves Dias não estava tirando leite das ovelhinhas.

Viva o poeta que, após três punhetas, concebeu a poesia romântica, sem que ninguém soubesse.

Receita de algodão cu doce

Neste dia das crianças faça algo diferente
chame aquele amigo fácil, disposto a dar o cu
pegue-o de surpresa para que não faça chuca.
 
E ele já na sua casa, 
já em sua cama,
já nu, diz:
Não sei se quero…
 
Vá até a cozinha, 
pegue um palito de churrasco
peça que seu amigo se vire para uma massagem
e lhe enfie o palito no cu
 
Gire  gire  gire
até que a merda grude no pau
está pronto seu algodão de cu doce.